Domingo, Fevereiro 26, 2006

Pilhas e baterias podem ter primeiro avanço significativo em 200 anos


Dois grupos de investigadores, trabalhando isoladamente, anunciaram quase ao mesmo tempo a descoberta do que poderá se tornar o mais importante avanço nas baterias desde a sua invenção, há mais de 200 anos. Além dos aparelhos portáteis, uma infinidade de aplicações utiliza as baterias como fonte de energia, de sistemas de no-breaks até veículos híbridos. Mas sua tecnologia não sofreu nenhum avanço radical nos últimos anos.
Cientistas dos Laboratórios Bell e da empresa mPhase relataram a construção de um protótipo de bateria "inteligente", a partir de materiais nanoscópicos, capaz de fornecer energia, não de forma contínua, como as pilhas e baterias tradicionais, mas apenas quando essa energia for necessária.
O protótipo ainda é pequeno, produzindo energia suficiente para alimentar um LED. Mas os cientistas estão entusiasmados com seu potencial.
A nova bateria é a demonstração prática de uma descoberta feita pelos mesmos investigadores, de que um eletrólito permanece sobre superfícies nanoestruturadas até ser estimulado a fluir. Esse "estímulo" é o gatilho para que a nova bateria comece a produzir eletricidade.
Esse comportamento "inteligente" poderá permitir a ativação das baterias quando necessário, aumentando enormemente sua vida útil.


Ultracapacitores
Já os pesquisadores Joel E. Schindall, John G. Kassakian e Riccardo Signorelli, do MIT, Estados Unidos, utilizaram membranas criadas com nanotubos de carbono para aprimorar um outro tipo de dispositivo de armazenagem de energia, chamado ultracapacitor. Com a melhoria, o novo componente poderá vir a substituir as atuais pilhas e baterias.
Os capacitores armazenam energia como um campo elétrico, o que os torna mais eficientes do que as baterias tradicionais, que retiram sua energia de reações químicas. Já os ultracapacitores são células de armazenamento, funcionando no mesmo princípio dos capacitores, mas capazes de fornecer quantidades enormes de energia instantaneamente. Eles já são utilizados em veículos experimentais, principalmente aqueles movidos por células a combustível.
Até agora, porém, os ultracapacitores necessitavam ser muito maiores do que as baterias para fornecer a mesma quantidade de energia. Os cientistas resolveram o problema lidando com os campos elétricos em nível atômico. Eles utilizaram uma membrana, construída com nanotubos de carbono alinhados verticalmente.
A capacidade de armazenamento de um ultracapacitor depende da área da superficie dos seus electrodos. Atualmente esses electcrodos são feitos de carbono ativado, um material extremamente poroso, o que se traduz em uma enorme área superficial. Mas seus poros são irregulares, o que significa que essa área não é tão grande quanto poderia ser, reduzindo a eficiencia

Já os nanotubos de carbono têm um desenho perfeitamente regular, além de possuir diâmetros de apenas alguns poucos átomos. A membrana construída com eles apresenta uma área superficial muito maior, o que se traduz em uma eficiência incomparável no armazenamento de energia.
Os cientistas afirmam já deter a tecnologia para a fabricação das membranas de nanotubos de carbono em qualquer formato, o que poderá facilitar a fabricação de ultracapacitores nos formatos das pilhas e baterias tradicionalmente utilizados em aparelhos eletrônicos.

Sábado, Janeiro 28, 2006



Nova bateria é fina como papel e recarrega em 30 segundos

A empresa japonesa NEC anunciou o desenvolvimento de uma bateria recarregável ultra-fina e flexível, que pode ser recarregada em apenas 30 segundos. Ela é tão fina - medindo cerca de 300 micrometros de espessura - que poderá ser utilizada no interior de cartões de crédito e papéis inteligentes.
A nova bateria, que é do tipo ORB ("Organic Radical Battery"), é baseada em polímeros de radicais orgânicos, com o carregamento sendo feito por meio de uma reação de oxidação-redução (redox) na região do radical.
O catodo é construído de polímeros radicais orgânicos, um tipo de plástico que tem um radical estável em sua estrutura molecular. Embora ele sejam tipicamente instável, o radical, neste caso, torna-se estável graças a uma conformação inédita de sua estrutura molecular.
O polímero radical orgânico assume um estado chamado "gel permeado pelo electrólito" - um estado intermediário entre o sólido e o líquido, no qual o polímero se expande depois de recoberto por um solvente. É este estado que explica a conformação tão flexível da nova bateria.
Além disso, a reação química é extremamente rápida, com os sais de suporte migrando suavemente através do estado gel. Isto resulta em pequena resistência à reação de recarregamento, o que permite que ela se complete em menos de 30 segundos.
A densidade da nova bateria atinge 1 mWh (mili-Watt/hora) por centímetro quadrado, o que permitirá sua utilização também em etiquetas inteligentes ativas - etiquetas RFID que não dependem dos leitores para funcionar.


Descoberta nova etapa da fotossíntese: melhores células solares



Usar a luz do sol para fornecer energia para nossas casas e edifícios ainda é um sonho distante. Principalmente devido à baixa eficiência e ao alto custo das células solares atuais.
É por isso que cada vez mais grupos de pesquisadores estão se debruçando sobre a fotossíntese das plantas: este processo biológico absorve praticamente 100% da energia do sol que atinge as folhas, além de transformar a energia solar em outros tipos de energia. Apenas para comparação, as melhores células fotovoltaicas atuais atingem 30% de eficiência, enquanto as células solares orgânicas mal passam dos 4%.
Agora, os pesquisadores Michael Haumann e Holger Dau, da Universidade Livre de Berlim, deram mais um passo na compreensão da fotossíntese. Em um artigo publicado na revista Science, eles relatam a descoberta de um quinto passo no processo de conversão da água em oxigênio.
A clorofila das plantas absorve a luz do sol, que se transforma em energia, sendo utilizada pelo chamado "complexo de oxidação da água" para catalisar a quebra da água e gerar o oxigénio molecular. Esse complexo contém quatro átomos de manganês e um de cálcio, que estão no centro da reação catalítica.
Cinco passos intermediários foram propostos para representar o processo da fotossíntese - um ciclo conhecido como Ciclo de Kok - mas apenas quatro haviam sido demonstrados até agora.
O que os cientistas alemães descobriram foi justamente o quinto passo, que é particularmente importante porque ele é diretamente ligado à formação do oxigênio molecular. Eles avançam um pouco mais, e sugerem uma extensão do Ciclo de Kok, com um passo intermediário adicional e propõem também um novo mecanismo de reação sobre a base molecular para a liberação do di-oxigênio. Isto representa um novo entendimento do mecanismo da fotossíntese.
Para estudar esse processo, eles tiveram que utilizar luz síncroton. "Um feixe de raios-X intenso e estável é necessário para se estudar uma proteína complexa e altamente diluída, presente na amostra de espinafre que foi investigada," explica Pieter Glatzel, coordenador do laboratório onde os estudos foram feitos. Os pesquisadores mediram a fluorescência que a amostra emitiu após ser excitada com os raios-X. A foto acima mostra a amostra contendo Fotossíntese II, a -260º C, iluminada por raios-X.
Eles emitiram um feixe de raios laser sobre a amostra e registraram as alterações utilizando a fluorescência por raios-X a cada 10 microsegundos, para descobrir como se desenvolviam os diferentes estágios de oxidação. Quando analisaram cuidadosamente a cinética da reacção, eles observaram um hiato temporal antes do passo 2 da oxidação. Essa pequena demora prova sem qualquer dúvida a existência do longamente procurado estado intermediário.
"Esses são resultados importantes, que terão impacto sobre a comunidade [que estuda] a fotossíntese. Eles ajudarão em nosso entendimento de como a energia solar é utilizada nas plantas e contribuirão nos esforços para se produzir células solares mais eficientes para nossas necessidades," diz Haumann.

Sábado, Dezembro 24, 2005

Nova célula solar de plástico é feita de materiais comuns
Cientistas da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, apresentaram mais um protótipo de célula solar feita de plástico. Além de uma alta eficiência na conversão de luz para eletricidade, a nova célula solar foi fabricada a partir de plásticos disponíveis em larga escala no mercado, o que poderá facilitar sua futura comercialização.
Os cientistas calculam que sua nova célula solar polimérica possa ser fabricada a um custo entre 10 e 20 por cento das células tradicionais. A pesquisa, de autoria de Yang Yang, Gang Li e Vishal Shrotriya, foi publicada no último exemplar da revista Nature Materials.
O alto preço dos módulos solares atuais faz com que a energia solar seja de três a quatro vezes mais cara do que a eletricidade gerada a partir da queima de petróleo. Atualmente, quase 90% dos módulos geradores de energia solar são feitos de uma forma refinada e altamente purificada de silício - o mesmo material utilizado na fabricação de chips de computador. Com isto, os módulos coletores representam metade do custo de instalação de uma usina geradora de energia solar.
A nova célula solar plástica agora apresentada é feita de uma única camada de plástico, ensanduichada entre dois eletrodos condutivos, o que permite sua fabricação em larga escala a baixo custo. Os polímeros utilizados em sua construção são largamente disponíveis comercialmente.
Testes independentes, feitos no Laboratório Nacional de Energias Renováveis, dos Estados Unidos, comprovaram que as novas células atingem uma eficiência de 4,4%, a mais alta já relatada em células solares plásticas.
O professor Yang, que coordenou a pesquisa, afirma que, como os trabalhos estão numa fase bastante inicial, será possível dobrar rapidamente essa eficiência com apenas um pouco mais de trabalho.
A meta para as células solares poliméricas é atingir uma eficiência entre 15 e 20%, com uma vida útil de 15 a 20 anos. Os atuais módulos de silício, formados com células fotovoltaicas, têm essa durabilidade, com uma eficiência entre 14 e 18%.

Descoberto por acaso o sucessor das lâmpadas incandescentes
Pegue um LED que produza uma luz azul intensa. Recubra-o com uma finíssima película de cristais microscópicos, chamados pontos quânticos, e você terá a próxima revolução tecnológica na iluminação, que poderá substituir virtualmente todas as atuais lâmpadas.

Esse LED híbrido, descoberto por acaso pelo estudante Michael Bowers, da Universidade Vanderbilt, Estados Unidos, é capaz de emitir luz branca verdadeira, similar à emitida pelas lâmpadas incandescentes, com uma leve tonalidade de amarelo.
Até agora os pontos quânticos têm recebido atenção graças à sua capacidade de produzir dezenas de cores diferentes simplesmente variando-se o tamanho dos nanocristais individuais: uma capacidade particularmente adequada à marcação fluorescente de células em aplicações biomédicas.
Mas os cientistas agora descobriram uma nova forma para construir pontos quânticos capazes de produzir espontaneamente luz branca de largo espectro.

Até 1993 os LEDs só produziam luzes vermelha, verde e amarela. Foi então que o pesquisador japonês Isamu Akasaki descobriu como fabricar LEDs que emitiam luz azul. Combinando LEDs azuis com outros verdes e vermelhos - ou adicionando-se fósforo amarelo aos LEDs azuis - os fabricantes conseguiram criar luz branca, o que abriu uma gama totalmente nova de aplicações para essas fontes de luz, por natureza extremamente econômicas e duráveis. Mas a luz emitda pelos "LEDs brancos" é apenas ligeiramente branca, apresentando um forte tom azulado.
Os pontos quânticos de luz branca, por outro lado, produzem uma distribuição mais suave dos comprimentos de onda do espectro visível, com uma leve tonalidade amarela. Desta forma, a luz produzida pelos pontos quânticos se parece mais com as luzes de "espectro total" utilizadas para leitura, um tipo de lâmpada disponível no mercado que produz uma luz com um espectro mais próximo ao da luz do Sol do que as lâmpadas incandescentes ou fluorescentes.
Além disso, os pontos quânticos, como acontece também com os LEDs, têm a vantagem de não emitir grandes quantidades de luz infravermelha, como acontece com as lâmpadas incandescentes. Essa radiação invisível produz grandes quantidades de calor e é responsável pela baixa eficiência energética desse tipo de lâmpada.
Bowers estava estudando com seu colega James McBride, procurando entender como os pontos quânticos crescem. Para isso eles estavam tentando criar pontos quânticos cada vez menores. Foi então que eles criaram um lote desses nanocristais de cádmio e selênio. Esses elementos contêm 33 ou 34 pares de átomos, o que é justamente o "tamanho mágico" no qual o cristais preferencialmente se formam. Assim, esses minúsculos pontos quânticos são fáceis de serem produzidos, ainda que tenham apenas metade do tamanho dos pontos quânticos normais.
Quando esses pontos quânticos foram iluminados com um laser, ao invés da luz azul que os estudantes esperavam, eles se encantaram com o branco vivo que iluminou a mesa onde faziam seu experimento.
A seguir os estudantes dissolveram seus pontos quânticos em uma espécie de verniz para madeira e "pintaram" um LED. Embora isso seja o que se poderia chamar de uma típica uma idéia de estudante, eles estavam, na verdade, montando sua descoberta sobre uma fonte própria de luz, dispensando o laser. O resultado não é nenhum primor de acabamento, mas demonstra claramente que a junção dos dois pode gerar uma nova fonte de luz branca que poderá revolucionar todo o setor de iluminação.
A descoberta foi descrita em um artigo publicado no exemplar de 18 de Outubro do Jornal da Sociedade Americana de Química.

Hidrogénio do etanol poderá ser combustível do futuro no Brasil

A geração de energia com o hidrogênio obtido a partir do etanol anuncia grandes perspectivas para o mercado brasileiro de combustíveis. Utilizar o etanol extraído da cana-de-açúcar e aproveitar a malha de distribuição já disponível para o álcool constituem um cenário economicamente animador, além de ambientalmente promissor porque há um ciclo completo de emissão e absorção de gás carbônico (CO2), um dos principais responsáveis pelo efeito-estufa.
Com essa tônica, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em parceria com o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), deu início ao projeto Geração de hidrogénio a partir da reforma do etanol, que busca desenvolver catalisadores que permitam a obtenção e a purificação do hidrogênio a partir do etanol, para ser usado na célula a combustível.
Uma das mais promissoras aplicações da célula a combustível no Brasil é a geração de energia para comunidades em que não há o sistema de eletricidade convencional. Dados do Ministério das Minas e Energia de 2003 mostram que aproximadamente 10 milhões de brasileiros não têm acesso à energia elétrica, a maior parte deles residentes na Região Nordeste. Do total de famílias que vivem sem energia elétrica, 90% têm renda inferior a três salários mínimos e 84% vivem em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano abaixo da média nacional. Somente na Amazônia, região em que não há possibilidade de interligação com as redes elétricas convencionais, vivem 300 mil famílias.
Outra possibilidade de aplicação da célula a combustível é nos motores a álcool dos automóveis. Com um catalisador eficiente, a reforma do etanol em hidrogênio, produzida no próprio motor, leva o hidrogênio para a célula, uma espécie de grande "pilha", gerando energia limpa para movimentar o carro.
O projeto, coordenado por pesquisadores do INT, leva em conta a elevada produção de etanol no Brasil, que, segundo dados da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais, deve chegar neste ano a cerca de 17 bilhões de litros de álcool, gerados a partir de uma produção esperada de 440 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Uma das principais incentivadoras do projeto, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) apoiou a modernização do Laboratório de Catálise do INT, que será reinaugurado no próximo dia 28. A reinauguração marca também os 20 anos de atuação do INT no desenvolvimento científico e tecnológico na área de Catálise. No mesmo dia, prestigiando o aniversário, o Instituto lança o fórum de debates "Questão Tecnológica".
Nessa sua primeira edição, o fórum, que tem como objetivo trazer à discussão temas atuais de importância para o desenvolvimento do País, coloca em debate as possíveis rotas tecnológicas para utilização de fontes alternativas aos derivados de petróleo, bem como os esforços de pesquisadores brasileiros na busca de caminhos que viabilizem a auto-suficiência e o desenvolvimento sustentável do Brasil em combustíveis.

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Pesquisa mostra como o combustível hidrogénio é gerado

O oxigênio é essencial para a vida. Mas, quando se trata de produzir hidrogênio, que pode ser utilizado como uma fonte de energia abundante, barata e sem qualquer tipo de poluição, o oxigênio é uma verdadeira pedra no sapato.
O "problema" é que o oxigênio e o hidrogênio se dão muito bem e reagem entre si - formando água - e paralisando o processo de geração do tão sonhado combustível barato e ambientalmente correto.
A reação do hidrogênio com o oxigênio acontece no interior de uma família de enzimas, presentes em muitos microorganismos, hoje vistas como uma das fontes potenciais para o fornecimento de hidrogênio. E até hoje os cientistas não sabiam exatamente como os dois se encontram, paralisando o processo de geração do hidrogênio.
Agora, cientistas da Universidade do Illinois, Estados Unidos, conseguiram modelar a rota dos dois elementos, permitindo que se veja como e por onde oxigênio e hidrogênio viajam para alcançar e sair do ponto de catálise das enzimas - o chamado grupo H - que é exatamente onde o hidrogênio é convertido em energia.
A descoberta resolve um problema econômico importante para a geração de energia limpa. Numerosos microorganismos possuem enzimas, conhecidas como hidrogenases, que utilizam somente água e luz do sol para gerar energia a partir do hidrogênio. Mas a insistência do oxigênio em se ligar ao hidrogênio simplesmente paralisa a geração do gás hidrogênio.
"Entender como o oxigênio chega ao ponto de reação irá nos permitir ver como a tolerância ao oxigênio da hidrogenase pode ser aumentada por meio da manipulação das proteínas e, em decorrência, tornar a hidrogenase uma fonte economicamente viável de hidrogênio-combustível," explica Klaus Schulten, um dos participantes da pesquisa.
Os cientistas concluíram que será possível fechar as rotas do oxigênio através da hidrogenase por meio da manipulação genética da proteína, aumentando a tolerância da enzima ao oxigênio, sem interromper a liberação do hidrogênio.
A pesquisa foi publicada no último exemplar da revista Structure.

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Pesquisadores brasileiros criam aquecedor solar mais eficiente
Agência FAPESP

Pesquisadores brasileiros criam aquecedor solar mais eficiente

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, desenvolveram uma nova solução eficiente, mas extremamente simples, para melhorar o rendimento das placas de aquecimento solar.

Trata-se de uma placa em formato parabólico, com 3 metros de comprimento por 1 metro de largura, formada por uma fina folha de aço, recoberta por uma película de polietileno refletivo. Pelo menos esta é a parte mais visível do novo e eficiente tipo de aquecedor solar.

"Além disso, no foco da placa é fixada uma serpentina formada por cinco canos de cobre enegrecido, com 3 metros de comprimento", explica Teófilo de Souza, professor da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, responsável pelo invento. "Quando a água passa pelo sistema ela atinge entre 185º C e 200º C. Nos produtos similares, a temperatura chega apenas a 60º C."

Além da novidade representada pela película, a movimentação do aquecedor no sentido do Sol ao longo do dia é outra das explicações dadas por Souza para justificar o sucesso do dispositivo. "Além do sensor luminoso, existe um pequeno motor, usado em furadeiras, para promover o deslocamento da peça. A energia elétrica necessária nesse caso é bem pequena, mas também estamos desenvolvendo uma bateria para acionar o mecanismo", disse o pesquisador à Agência FAPESP.

Funcionar sem nenhum tipo de energia elétrica é essencial para que a novidade consiga desempenhar com sucesso uma de suas finalidades, especificamente em ambientes rurais. "O vapor produzido pelo aquecedor pode substituir o querosene e o gás de cozinha no funcionamento de geladeiras", conta Souza.

Outra utilidade, segundo o responsável pelo projeto que também contou com a participação de alunos da Unesp, seria em residências que têm acesso à energia elétrica. Pelas contas do professor de engenharia, o Brasil tem hoje 30 milhões de casas ligadas à rede elétrica. Com cinco pessoas em média, esses lares gastam em torno de R$ 40 com o chuveiro elétrico, ou 40% da conta de luz.

"A economia indireta total, nesse caso, pode chegar a R$ 1,2 bilhão", calcula Souza. Segundo o pesquisador, como o preço aproximado do seu aquecedor solar é de R$ 300, não custaria muito para o próprio governo colocar esses dispositivos nas casas dos brasileiros. "Além disso, em um ano e meio de funcionamento, ele ainda não precisou de nenhum tipo de manutenção", garante Souza, que desenvolveu suas pesquisas no âmbito do Centro de Energias Renováveis da Unesp de Guaratinguetá.

Sábado, Setembro 24, 2005

Centro de Excelência para a Bio-Energia promovido pela Universidade do Minho

Ainda antes das férias de Verão, a Universidade do Minho submeteu a apreciação pela Agência de Inovação a proposta de criação de um Centro de Excelência para a Bio-Energia, com o objectivo de criar um conjunto de competências em energias renováveis, em particular no domínio dos recursos orgânicos.
O projecto nasceu através do Centro de Valorização para os Resíduos (CVR), um ‘interface’ da Universidade do Minho, a fim de se valorizarem os recursos endógenos que o país subaproveita. De acordo com José Carlos Teixeira, docente do Departamento de Engenharia Mecânica, “a intenção é estimular o desenvolvimento das áreas da biomassa, do biogás e dos biocombustíveis, criando um agrupamento de parceiros que cubram toda a fileira, desde a produção até ao consumidor final”.
Com um investimento de 1,3 milhões de euros, 25% do valor será assegurado pelos parceiros do consórcio que, segundo José Carlos Teixeira, “terá um contributo importante na diversificação da palete de recursos energéticos e na diminuição das emissões de carbono, contribuindo assim para o alcance dos objectivos do Protocolo de Quioto”.
Entre os parceiros do consórcio a ser formado, caso o projecto obtenha aprovação da Agência de Inovação, contam-se também a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, as autarquias e associações de municípios do Vale do Ave e Cávado, os Departamentos de Engenharia Mecânica e Engenharia Biológica da Universidade do Minho, duas dezenas de empresas privadas, aterros sanitários, a Associação de Produtores de Cereais e Oleginosas, a RAIZ (fabricante de pasta de papel), o INETI (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial) e o Instituto Nacional de Investigação em Agricultura e Pescas. Existe, ainda, o interesse de uma empresa holandesa, líder do mercado mundial em reactores anaeróbicos, que pretende instalar-se em Portugal caso o projecto avance.
Uma das vantagens apontadas pelo responsável do projecto é o facto da biomassa ser uma energia renovável acumulável, que pode ser armazenada. Outro dos pontos fortes será a criação de emprego prevista, bem como o desenvolvimento de tecnologias e a fixação de pessoas com conhecimentos, “que o mercado português não está a desenvolver nem aproveitar”. Prevê-se que o Centro de Excelência avance ainda antes do final de 2005.
Universidade do Minho constitui Assessoria para a EnergiaNo seguimento do projecto do Centro de Excelência para a Bio-Energia,a Universidade do Minho acaba de constituir uma Assessoria para a Energia, que tem por objectivo reduzir os custos em energia, que ascendem a um milhão de euros anuais. A equipa comporta sete docentes para tornar a instituição “exemplar na economia e utilização de nergias alternativas”. A intenção é que se desenvolvam os estudos necessários para propor soluções energéticas que permita a redução significativa do uso de energia e implementação de processos alternativos.
A Assessoria para a Energia vai permitir, no imediato, uma economia de 5% e a médio prazo de 15%. O primeiro passo será a monitorização da utilização de energia nos edifícios da Universidade do Minho.

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Novo material pode ter magnetismo em estado líquido

Cientistas norte-americanos e japoneses, trabalhando conjuntamente, podem ter descoberto o longamente sonhado material que apresenta magnetismo em estado líquido. A pesquisa foi publicada na revista Science da última sexta-feira, dia 9.
O inusitado material - sulfeto de níquel-gálio (NiGa2S4), foi sintetizado por cientistas da Universidade de Kioto, Japão. A seguir ele foi estudado por cientistas de várias universidades e do Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia, nos Estados Unidos.
Os cientistas descobriram que a disposição triangular dos átomos do material parece impedir o alinhamento magnético de seus spins, a característica dos elétrons que produz o magnetismo. Um estado magnético "líquido" ocorre quando os spins magnéticos flutuam desordenadamente, um arranjo fluídico que não produz uma força magnética total.
Esse estado de magnetismo líquido foi proposto teoricamente há mais de 30 anos. Ele pode estar relacionado à forma também fluida com se movem os elétrons, sem qualquer resistência, em materiais supercondutores.
"Esta pesquisa mostra que, em um instante no tempo, o material se parece com um líquido magnético. Mas, se há flutuações no tempo, assim como no líquido, isso ainda terá que ser estudado," explica o professor Collin Broholm.
Os cientistas fizeram seu experimento utilizando um instrumento chamado espectrômetro chopper de disco. Ele dispara ondas de neutrons de um comprimento de onda fixo através da amostra que está sendo estudada. A seguir, mais de 900 sensores, dispostos em um grande semicírculo, determinam exatamente onde e quando os neutrons emergem, dando informações precisas para o mapeamento dos spins dos elétrons.

Comunidade Portuguesa de Ambientalistas
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